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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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A.L.T.E.: CASUÍSTICA DE UM SERVIÇO DE PEDIATRIA GERAL

Margarida Alcafache, Susana Santos, Ana Isabel Cordeiro, Rita Machado

Unidade de Pediatria Geral, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, CHLC EPE, Lisboa - Portugal

14º Congresso Nacional de Pediatria, Porto 3-5 Outubro 2013 (poster em sala)

Introdução: O A.L.T.E. (Apparent Life-Threatening Event) corresponde à descrição de um evento súbito e inesperado num lactente, que é assustador para o observador. Inclui combinações variáveis de apneia, alterações da coloração da pele e/ou alterações do tónus muscular. A recuperação deste estado ocorre apenas após estimulação ou reanimação. Os factores de risco associados à ocorrência destes eventos incluem a prematuridade com idade pós-concepcional inferior a 43 semanas, tabagismo materno, infecção respiratória viral e história de A.L.T.E. prévio.

Métodos: Estudo retrospectivo dos lactentes internados com o diagnóstico de A.L.T.E. num serviço de Pediatria Geral, entre Janeiro de 2001 e Março de 2013.

Resultados: Foram identificados 48 casos de A.L.T.E., com uma idade média de 6 semanas de vida, maior incidência (87.5%) em lactentes de idade inferior a 2 meses e igual incidência entre sexos (feminino 47.9%, masculino 52.1%). Factores de risco para estes eventos estavam presentes em 64.6% dos casos, sendo eles a prematuridade e história de A.L.T.E. recorrente. A cianose e a apneia foram as formas de apresentação mais frequentes. A grande maioria dos lactentes (85.4%) não apresentava alterações no exame objectivo à entrada no serviço de urgência, e nenhum necessitou de reanimação. A duração média do internamento foi de 5 dias. Todos realizaram exames complementares de diagnóstico, nomeadamente análises sanguíneas (89.5%), ecografia abdominal (77.0%), radiografia de tórax (72.9%), ecocardiograma (64.5%), ecografia transfontanelar (58.3%), electroencefalograma (50.0%), pesquisa de vírus nas secreções respiratórias (16.7%) e pHmetria (13.5%). Em apenas 1 caso se verificou refluxo gastro-esofágico (por pHmetria), e em 2 casos infecção respiratória por vírus sincicial respiratório. Nos restantes lactentes, não foi identificada nenhuma causa patológica subjacente. A longo prazo nenhum teve complicações.

Conclusão: Trata-se de uma situação benigna e idiopática na sua grande maioria, no entanto, em todos os casos está indicado o internamento para um mínimo de 24h de vigilância, tranquilização dos pais e estudo etiológico. Na nossa casuística, a percentagem global de exames complementares foi elevada. Dada a benignidade desta situação na maioria dos casos, consideramos que a escolha dos mesmos deve ser ponderada à presença de factores de risco, história clínica e alterações no exame objectivo.

Palavras-chave: A.L.T.E., Apparent Life-Threatening Event.