imagem top

2023

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

ESPAÇOS PERIVASCULARES ALARGADOS E ALTERAÇÕES DA SUBSTÂNCIA BRANCA NA INFÂNCIA - DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Danila Kuroedov, Carla Conceição

Serviço de Neurorradiologia, Hospital Dona Estefânica e Hospital são José, Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Central, Lisboa, Portugal

- XXXI Congresso SILAN, 24 a 27 Setembro 2019, Porto

Objectivo: Espaços perivasculares de Virchow-Robin (EPVR) são invaginações do espaço subpial, formando uma bainha de revestimento tubular contendo vasos perfurantes, preenchidas por fluido, correspondendo habitualmente a achados inocentes em estudos imagiológicos. Nas crianças, o alargamento dos EPVR em conjunto com alterações da substância branca representa um desafio diagnóstico. O objectivo desta comunicação é a revisão sistemática desta associação de achados, na população pediátrica, e o seu enquadramento diagnóstico.
Materiais e Métodos: Apresentamos uma revisão pictórica de casos estudados por TC e RM que partilham achados de EPVR alargados e alterações da substância branca, seleccionados a partir do repositório/base de dados do nosso Serviço. De seguida, fazemos uma discussão breve sobre algumas características típicas e achados frequentes dos diferentes diagnósticos apresentados, com base em estudos por TC e RM. São também avaliadas outras alterações associadas nos estudos de imagem.
Resultados: São apresentados vários casos, nomeadamente em contexto de atraso de desenvolvimento psicomotor (ADPM) sem causa identificada, macrocrânia, associados a alterações cromossómicas, hipomelanose de Ito, síndrome de Lowe, mucopolissacaridoses (MPS tipo I e II) e EPVR gigantes tumefactivos. As alterações da substância branca são essencialmente multifocais e mais raramente difusas. Outras anomalias associadas foram a ventriculomegalia, alargamento de sulcos ou anomalias ósseas.
Conclusão: A interpretação das dilatações de EPVR com alterações da substância branca é complexa, necessitando uma abordagem organizada para formular um diagnóstico diferencial mais estrito. Apesar destes achados serem por vezes interpretados como normais, são documentados com alguma frequência em crianças com ADPM. Usualmente não se associam a doenças específicas, mas a sua associação pode sugerir algumas entidades mais específicas, a incluir no seu diagnóstico diferencial.

Palavras Chave: Espaços perivasculares dilatados; substância branca; diagnóstico diferencial; RM; pediatria