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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DOENÇA INVASIVA MENINGOCÓCICA POR NEISSERIA MENINGITIDIS DO SEROGRUPO Y

Maria Soto-Maior Costa1; Maria João Brito1; Tiago Silva1

1- Unidade de Infecciologia Pediátrica, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

Reunião Nacional XVI Jornadas Nacionais de Infecciologia Pediátrica da SIP-SPP. 30 de maio de 2019, Braga. Poster com discussão

Introdução: A doença invasiva meningocócica mantêm-se uma causa de morbilidade e mortalidade na idade pediátrica e constitui uma preocupação constante de saúde pública. O conhecimento dos serogrupos circulantes no passado não tem valor preditivo para o futuro pelo que a monitorização epidemiológica contínua é fundamental.
Relato de caso: Criança de 4 anos, saudável, com Programa Nacional de Vacinação actualizado, sem imunização anti-meningocócica B. Observada por febre e odinofagia com menos de 24h de evolução associada a dor abdominal intermitente desde há 7 dias. Apresentava bom estado geral, hiperemia da orofaringe e exantema micropapular no tronco e membros. O restante exame físico não tinha alterações. Analiticamente registava-se leucocitose 16810 x 106 /L, com neutrofilia 13860 x 106 /L (82,4%) e PCR 79.1 mg/L. A pesquisa de antigénio para Streptococcus grupo A na orofaringe foi negativa. Teve alta com ensino e indicação para vigiar sinais de alarme. No dia seguinte, na hemocultura identificou-se Neisseria meningitidis, tendo sido convocada para reavaliação. Referia apenas um pico febril único, mantinha bom estado geral sem outra sintomatologia e tinha inclusivamente frequentado duas festas infantis. Cumpriu 5 dias de ceftriaxone, com evolução favorável. Foi feita profilaxia aos conviventes, notificação da doença ao Delegado de Saúde e realizado SINAVE. A serotipagem posterior identificou Neisseria meningitidis serogrupo Y.
Conclusões: Na Europa, regista-se uma emergência variável de Neisseria meningitidis do serogrupo Y, em diferentes países. Em Portugal, a incidência deste agente não tem sido elevada, mas a situação pode-se modificar. No nosso país, a caracterização molecular das estirpes circulantes é essencial para conhecer o padrão epidemiológico da doença, de forma a permitir decisões sustentadas nas políticas de saúde e eventuais mudanças nas estratégias vacinais.

Palavras Chave: Doença invasiva meningocócica, Neisseria meningitidis