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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DIFERENTES APRESENTAÇÕES CLÍNICAS DE MUTAÇÕES DO GENE IKBKG

Madalena Almeida Borges1, Filipa Marujo1, Raquel Maia2, Conceição Neves1, João Farela Neves1, Ana Isabel Cordeiro1

1- Unidade de Imunodeficiências Primárias, Área da Mulher, Criança e Adolescente do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
2- Unidade de Hematologia, Área da Mulher, Criança e Adolescente do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

- IX Reunião de Imunodeficiências Primárias, Lisboa, 8 de Março de 2019; sob a forma de comunicação oral.

Introdução: O gene IKBKG codifica a proteína NEMO (NFkB essential modulator), crucial na via de sinalização do NFkB, fundamental para a resposta inflamatória de vários tipos celulares. De transmissão ligada ao X, mutações neste gene causam distintos fenótipos. Na rapariga causam incontinentia pigmenti (IP), uma displasia ectodérmica rara, enquanto no rapaz as mutações amórficas são habitualmente letais in utero e as mutações hipomórficas podem apresentar quadros relativamente heterogéneos, com imunodeficiência, displasia ectodérmica e, em alguns casos, osteopetrose. Apresentam-se 4 casos ilustrativos desta heterogeneidade clínica.
Relato de casos: 
Caso 1 e 2: Duas raparigas, 2 e 4 anos de idade, com IP clássica desde o nascimento, com envolvimento cutâneo, neurológico e alterações dentárias. Ambas apresentam uma mutação no gene IKBKG.
Caso 3: Lactente com 5 meses de idade, sexo feminino, com dermatose exuberante desde o nascimento compatível com IP, sem manifestações neurológicas até à data e com alterações sugestivas de desregulação imune, traduzidas por dejecções diarreicas com muco e sangue desde as primeiras semanas de vida, má absorção e má progressão estatutoponderal. Este fenótipo deve-se, muito provavelmente, a um fenómeno de inactivação aberrante do cromossoma X não afectado. Aguarda estudo genético.
Caso 4: Rapaz, 22 anos de idade, sem displasia ectodérmica, seguido em consulta de Imunodeficiências Primárias e de Hematologia desde os 2 anos de idade, por fenótipo imunológico de imunodeficiência comum variável, apresentando infecções respiratórias de repetição, anemia deseritropoiética e doença inflamatória intestinal. Efectuou painel NGS para pesquisa de genes associados a hipogamaglobulinemia, que não revelou alterações e posteriormente realizou WGS, que identificou uma variante na região promotora do gene IKBKG.
Conclusão: Estes casos clínicos demonstram como uma mutação no gene IKBKG pode resultar em apresentações clínicas diferentes, mesmo entre indivíduos do mesmo sexo. O diagnóstico adequado e o correto seguimento em equipa multidisciplinar são fundamentais para a melhoria do prognóstico destes doentes.

Palavras Chave: Incontinentia pigmenti; IKBKG; imunodeficiência;