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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DESAFIOS NO CONTROLO DA BEXIGA DISFUNCIONAL

Dinorah Cardoso

Unidade de Urologia Pediátrica, Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, Lisboa

- Palestra - Reunião da Sociedade Portuguesa de Nefrologia Pediátrica, 11 de Outubro de 2019, Lisboa

Resumo: É comum na consulta de urologia pediátrica crianças com quadro de disfunção vesical sem patologia neurológica, motivo pelo qual apresenta-se este tema. Os sinais e sintomas desta disfunção podem estar presentes, tanto na fase de enchimento, como de esvaziamento da bexiga. Apresenta-se como infecção urinária, incontinência urinária ou desordens de eliminação. O grande desafio das patologias que envolvem a “disfunção do trato urinário baixo” é fazer o diagnóstico precoce e tratamento atempado evitando lesão do sistema urinário alto nos casos mais graves e impedindo que as queixas perdurarem até a idade adulta, vindo a interferir na sua qualidade vida. Durante o desenvolvimento do sistema urinário baixo e neurológico, existe alguma incoordenação vesico-esficteriana que melhora ao longo do crescimento, vindo a se estabilizar em torno dos 2 a 3 anos de idade. É necessária uma integração autonómica e somática sob o controlo do sistema nervoso central para permitir que a bexiga funcione sob baixas pressões. A persistência e a gravidade da disfunção, por vezes associadas a obesidade e alterações psicológicas ou psiquiátricas tornam um desafio terapêutico. De uma forma geral, o seu diagnóstico baseia-se na história clínica, exame objetivo, diário miccional e intestinal. Os exames de imagens e urina II podem ajudar a excluir outras patologias e definir mais precisamente o tipo de disfunção. A urofluxometria, o estudo urodinâmico e, principalmente, a videourodinâmica são úteis nos casos mais complexos. O tratamento inicial baseia-se na ingesta hídrica adequada, micções regulares, manter trânsito intestinal normal e outras medidas comportamentais. O uso de anticolinérgicos e alfa-bloqueantes, além de outras terapêuticas, têm contribuído no tratamento de muitos casos. Não existe consenso na classificação das patologias que envolvem a disfunção do trato urinário baixo e que compreendem cerca de até 10 desordens. Por ser uma área nova e não completamente compreendida, é necessária maior investigação na área médica e técnica para obter resultados satisfatórios no seguimento de algumas destas crianças.

Palavras Chave: Criança, disfunção do trato urinário baixo