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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DEPRESSÃO BIPOLAR VERSUS DEPRESSÃO UNIPOLAR

Rita Amaro1, Sofia Vaz Pinto1, Carolina Sereijo2, Maria João Gonçalves2, Juan Sanchez3

1 - Médico Interno de Formação Específica da Especialidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
2 - Médico Interno de Formação Específica da Especialidade de Psiquiatria, Hospital Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte, Lisboa.
3 - Assistente Hospitalar Graduado da Especialidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.

- Reunião nacional: apresentado sob a forma de Comunicação Oral no Congresso Nacional de Psiquiatria, Troia.

Introdução: Cerca de metade dos pacientes diagnosticados com Perturbação Afetiva Bipolar (PAB) Tipo 1 e ¾ dos diagnosticados com PAB Tipo 2 têm primeiros episódios depressivos. O diagnóstico entre Depressão Bipolar (DB) e Depressão Unipolar (DU) é um desafio na prática clínica – descrita latência média entre onset da doença e o diagnóstico e tratamento adequado de 5-10 anos.
Objetivos: A propósito de um caso clínico, realizar uma revisão da literatura sobre este tema.
Métodos: Revisão não sistemática da literatura com as palavras-chave Unipolar Depression e Bipolar Depression, no Pubmed e B-on.
Resultados: Parecem existir alguns fatores preditores de PAB, nomeadamente história familiar de PAB, início da doença antes dos 25 anos, mais de 4 episódios depressivos, instabilidade comportamental/emocional (agressividade), história de eventos traumáticos na infância e abuso de substâncias. Alguns estudos mostram maior taxa de ocorrência de diagnósticos comórbido na infância em crianças com DB – parece existir overlap diagnostico bidireccional com Perturbação do Comportamento. DB parece ocorrer com maior quantidade e gravidade de sintomas depressivos – maior taxa de suicídio (com primeira tentativa de suicídio em idade mais jovem e com maior letalidade) e maior taxa de hospitalizações e com episódios depressivos mais prolongados. Pacientes com DB parecem ter maior lentificação psicomotora e alteações cognitivas (MoCA). Estudos neurobiológicos mostram também diferenças entre DU e DB nomeadamente redução do volume de substância cinzenta no giro frontal inferior, giro pré-central e cerebelo. Estudos com RMN mostram alterações no processamento das emoções e no circuito da recompensa com diferentes padrões de ativação, nomeadamente da amígdala, córtex cingulado anterior, córtex pré-frontal e estriatum. Um estudo recente com biomarcadores periféricos parece mostrar que a variável mais relevante para diferenciar paciente com DB de DU é o nível de IL-10, TRARS e IL-4.
Conclusões: O diagnóstico correto nas fases iniciais tem importância para prevenir cronicidade e neuroprogressão da doença.

Palavras Chave: Doença Bipolar, Diagnóstico Diferencial, Episódio Depressivo Major