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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CUIDAR DA EPILEPSIA NA IDADE PEDIÁTRICA EM CABO VERDE

Albertina Lima1, Ana Isabel Dias2, Antónia Fortes1, Rita Lopes da Silva2, Teresa Temudo3

1- Neurologia, Hospital Agostinho Neto, Cidade da Praia, Cabo Verde
2- Serviço de Neurologia Pediátrica, Área da Mulher, Adolescente e Criança, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
3- Serviço de Neuropediatria, Centro Materno-Infantil do Norte, Porto

- Artigo publicado na Sinapse Volume 19, nº 3-4 Julho-Setembro – Outubro-Dezembro 2019

Introdução: Cabo Verde, um país emergente, tem dos melhores indicadores de saúde de África, mas ainda apresenta algumas carências na saúde e saneamento básico. Desde 2011 que existe uma cooperação no âmbito da Neuropediatria entre Portugal e Cabo Verde, englobando atividade assistencial e formativa, com capacitação de profissionais locais. A epilepsia é uma doença neurológica frequente, com incidência de 41-187/100 000, sendo mais elevada nos países emergentes. Estima-se que existam em CV 2000-3000 pessoas com epilepsia. Existem apenas duas neurologistas para 500 000 habitantes, dificuldades no acesso a medicamentos, exames de neuroimagem e eletroencefalogramas. Pretendemos analisar o trabalho desenvolvido e caracterizar a população, para melhorar o seguimento futuro.
Metodologia: Estudo retrospetivo dos doentes com diagnóstico de epilepsia e idade inferior a 18 anos, seguidos no Hospital Agostinho Neto, entre Novembro 2011 e Maio 2017.
Resultados: Foram observados 166 doentes, com média de idades de 12,2 anos. O diagnóstico de epilepsia foi feito, em média, aos 2 anos. Setenta e cinco doentes (45,2%) tinham crises parciais, 52 (31,3%) crises tónico-clónicas generalizadas e em 37 (22,3%) não foi possível classificar o tipo de crises. A classificação sindromática foi apenas possível em 18 (10,8%) doentes. A maior parte dos doentes apresentava uma epilepsia sintomática, sobretudo relacionada com sequelas de insultos perinatais e infecções do sistema nervoso central. O número de exames de neuroimagem (57,2%) foi superior ao de eletroencefalogramas (21,1%). A maioria dos doentes 130 (78,3%) encontrava-se controlada em monoterapia.
Discussão/Conclusão: Um número elevado de doentes com epilepsia sintomática apresentava causas preveníveis e/ou tratáveis, sendo imprescindível melhorar os cuidados neonatais, os cuidados primários de saúde e o saneamento básico em Cabo Verde. O número reduzido de eletroencefalogramas realizados demonstra as carências existentes. O projeto de cooperação visa contribuir para melhorar os cuidados de saúde, com um modelo que acreditamos ser eficaz e sustentável.

Palavras Chave: Adolescente; Cabo Verde; Criança, Epilepsia