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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CUIDADOS PATERNOS: MECANISMOS NEURONAIS E CONSEQUÊNCIAS A LONGO PRAZO

Maria Teresa Martins1, Rita Rapazote1

1 – Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.

- Reunião nacional: póster apresentado no XXX Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (APPIA).

Introdução: A neurociência da prestação de cuidados paternos é um campo de investigação em desenvolvimento sobretudo na última década, com maior relevância social tendo em conta o crescente envolvimento do pai na educação dos filhos.
Objetivos:
- Propor uma reflexão acerca dos mecanismos moleculares, neurobiológicos e hormonais envolvidos na prestação de cuidados paternos nos mamíferos;
- Conhecer as consequências a nível neurológico, molecular e comportamental dos cuidados paternos nos seus descendentes;
- Impacto da privação de pai ao nível da saúde mental dos seus filhos.
Métodos: Revisão da literatura no PubMed e B-on com as palavras “paternal caregiving", “father absence” e "paternal deprivation".
Resultados: Na espécie humana, ao contrário da maioria dos mamíferos, existem cuidados biparentais, ou seja, quer a mãe quer o pai prestam cuidados diretos ao filho. Estudos revelam que a prestação de cuidados paternos se correlaciona com alterações hormonais assim como alterações cerebrais a nível estrutural e molecular. Os cuidados paternos associam-se a uma melhor capacidade de gestão da raiva, controlo dos impulsos, desempenho escolar e desenvolvimento de capacidades sociais na infância e adolescência dos filhos. Crianças privadas de pai têm mais tendência à agressividade, com menor auto-estima, maior probabilidade de uso de substâncias ilícitas, infração de leis, entre outros.
Conclusões: Os cuidados paternos estão associados a variações hormonais bem como ao aumento da plasticidade neuronal em áreas-chave do cérebro do pai e estas alterações dependem do contacto ativo com os filhos. A ausência de cuidados paternos tem efeitos deletérios ao nível da saúde mental dos descendentes.

Palavras Chave: cuidados paternos; privação de cuidados paternos