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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CONSULTA DE RASTREIO INFECCIOSO PRÉ TRATAMENTO IMUNOSSUPRESSOR (CRIPTO) EM PEDIATRIA

Inês Ferreira1, Luís Rodrigues2, Tiago Milheiro3, Flora Candeias3

1 - Serviço de Pediatria, Departamento da Mulher e da Criança, Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E, Setúbal
2 - Serviço de Pediatria, Hospital do Espírito Santo de Évora, Évora
3 - Unidade de Infecciologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa

20º Congresso Nacional de Pediatria, publicação sob forma de resumo

Introdução: O número de crianças com doenças que necessitam de imunossupressores (IMS) tem aumentado, com maior risco a infeções. Neste contexto, surgiu a CRIPTO, de forma a tentar prevenir complicações infecciosas.
Objetivos: Caracterizar a população da CRIPTO avaliando parâmetros demográficos, clínicos, rastreios, vacinação e terapêutica.
Métodos: Estudo observacional, retrospetivo, de Fevereiro de 2016 a Julho de 2019 (42 meses) dos doentes da CRIPTO
Resultados/Discussão: Foram incluídos 90 doentes, num total de 230 consultas (média de 2 consultas/doente), com idade média de 13 anos (±5,5 anos), referenciados por serviços de internamento (21), consulta de gastroenterologia (19), reumatologia (14), dermatologia (12), nefrologia (10), neurologia (5) e outras consultas de especialidade (9). Apenas 26,7% (24) foram avaliados antes de iniciar IMS. As patologias mais frequentes foram doença de Crohn (11), colite ulcerosa (11) e eczema atópico grave (8). Registaram-se três casos de exposição a estes fármacos in útero. A imunossupressão incluiu agentes biológicos (14,4%), corticoterapia (41,1%), imunomoduladores (34,4%) e inibidores da calcineurina (10%). Do rastreio infeccioso identificaram-se oito casos de tuberculose e três de infeção por Strongyloides. Não se registaram infeções VIH, HCV ou HBV. O PNV estava atualizado em apenas 42,2% dos doentes. Foram administradas em média 4,3 vacinas/doente (total 382 vacinas), com um encargo de vacinas extra-PNV de 167€/doente.
Conclusão: O rastreio de infeções e vacinação destes doentes deve ser uma prioridade pelo risco infecioso elevado, desejando-se que seja realizado antes do início da terapêutica e de forma protocolada. O custo de vacinação não comparticipada é elevado nesta população.

Palavras Chave: imunossupressores, infeção, rastreio