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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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COMUNICAÇÃO ORO-NASAL – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

Yashad Mussá1, Adélia Ramazanova2, Marcelo Prates1, Afonso Martins1, José Ferreira3, Jorge Pinheiro2

1 – Serviço de Estomatologia, Hospital de São José, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
2 – Unidade de Estomatologia, Hospital de D. Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
3 – Serviço de Estomatologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte

- Poster – XXXIX Congresso anual da SPEMD – o congresso do centenário, Porto 2019
- Publicação sob a forma de resumo - rev port estomatol med dent cir maxilofac.
- 2019;60(S1):1-73. DOI: http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2019.12.472

Introdução: A comunicação oro-nasal resulta de uma solução de continuidade da abóbada palatina. A etiologia pode ser congénita, a mais frequente ou adquirida. A principal causa congénita é a fenda palatina. Das causas adquiridas destacam-se a traumática, a infeciosa, a neoplásica e a iatrogénica. Dependendo do tamanho, pode ser assintomática ou manifestar-se por passagem de alimentos/líquidos para o nariz, alterações na fala e infeções recorrentes das vias aéreas superiores. O tratamento na maioria dos casos é cirúrgico.
Relato de caso: Sexo feminino, 13 anos, raça negra, natural de Angola, com antecedentes patológicos conhecidos de Diabetes Mellitus tipo 1 e desnutrição; foi internada de urgência por cetoacidose diabética. No exame objectivo, destacava-se uma solução de continuidade do palato duro, com 6 meses de evolução, central, indolor, medindo 4x2 cm, permitindo visualização do septo nasal necrosado. A tomografia computorizada mostrou destruição óssea do palato duro, da fossa pterigopalatina esquerda e erosão da parede posterior do seio maxilar homolateral obliterado. Foi submetida a desbridamento cirúrgico e o exame bacteriológico revelou, entre outros, Micobacterium Tuberculosis e Zygomycetes. Após estabilização da cetoacidose, foi instituída terapêutica anti-bacilar e anti-fúngica com resolução do quadro infecioso. A doente encontra-se estável, mas mantém a comunicação oro-nasal.
Conclusões: Descrevemos um caso de comunicação oro-nasal extensa, de causa infeciosa, tuberculose ou mucormicose, tendo sido isolados os dois agentes. Ambas as entidades causam lesões destrutivas que acometem, preferencialmente, doentes imunocomprometidos. A mucormicose é angioinvasiva e de evolução muito agressiva com desfecho fatal sem tratamento médico-cirúrgico precoce. A tuberculose tem habitualmente um curso insidioso. No caso clínico em apreço, temos uma doente imunocomprometida, diabetes e desnutrição, com uma comunicação oro-nasal com evolução arrastada, o que aponta para uma provável tuberculose sobre-infetada. A doente está em processo de reabilitação oral.

Palavras Chave: comunicação oro-nasal, tuberculose, mucormicose