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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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COMER OU NÃO COMER, EIS A QUESTÃO – QUANDO A DIABETES MELLITUS OCORRE COM DOENÇA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR

Rita Amaro1, Sofia Vaz Pinto1, Catarina Garcia Ribeiro1, Mara Costa de Sousa2, Juan Sanchez3

1- Médico Interno, Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
2-Médico Interno, Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte, Lisboa.
3- Assistente Hospitalar Graduado, Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.

Congresso nacional: comunicação oral no 1º Congresso Nacional da Ligação em Pedopsiquiatria, Coimbra.

Introdução: Doentes com Diabetes Mellitos Tipo 1 (DM1) parecem ter mais risco para Doenças do Comportamento Alimentar (DCA), com maiores taxas de complicações orgânicas por desregulação glicémica.
Relato de caso: Revisão da literatura acerca da comorbilidade entre DM1, DCA, fatores de risco, intervenção terapêutica a propósito de um caso clínico. Doente do sexo feminino, 17 anos de idade, com Diabetes Mellitus Tipo 1 com diagnóstico aos 9 anos, seguida em Endocrinologia, com dificuldade no controlo da glicemia e padrões alimentares disruptivos. Inicia aos 15 anos quadro caracterizado por restrição alimentar, inicialmente qualitativa e progressivamente também na quantidade com o objetivo de perda de peso e insatisfação com a imagem corporal. Em paralelo aumentou o exercício físico, negando toma de diuréticos/laxantes e indução de vómito. Refere mastigar alimentos que depois deita fora, sem engolir. Cerca de um ano depois, atingiu o peso mínimo de 29Kg (IMC 12,8 Kgm2). No seguimento deste peso procurou diversos seguimentos que abandonou, sem adesão ao plano terapêutico e sem melhorias. Por não ter melhorado em ambulatório, foi-lhe proposto internamento, que aceitou - à entrada, 31,8Kg/1,5m/IMC 14,13Kgm2. Durante o internamento dificuldade no cumprimento do plano alimentar, episódios de esconder comida e hipoglicémias após refeições, o que levou à suspeição de indução de vómito e hiperglicémias durante a madrugada, tendo sido encontrada comida escondida nos pertences da doente.
Conclusões: Doentes com DM1 parecem estar mais predispostos a desenvolver DCA do que pessoas saudáveis, parecendo haver fatores de risco aumentado nomeadamente ter entre 7-18 anos, sexo feminino, rigidez na preparação das refeições e proporções de comida, excesso de peso e insatisfação com o corpo, discurso e dinâmicas familares centradas nos alimentos, patologia de compulsão alimentar nas mães. A AN parece ter uma prevalência semelhante ao passo que a BN parece ter uma prevalência aumentada em doentes com DM1. O tratamento em doentes com DM1 deverá ser feito por equipas multidisciplinares sendo a sintomatologia de DCA foco de atenção clínica, nomeadamente fatores clínicos que aumentem a suspeição clínica de DCA e articulação/referenciação precoce a serviços de saúde mental sempre que necessário - intervenções individuais e familiares.

Palavras Chave: Adolescência, Anorexia Nervosa, Comportamento Alimentar, Diabetes Mellitus Tipo 1