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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO IDOSA COM SEGUIMENTO NO SERVIÇO DE IMUNOALERGOLOGIA DO CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DE LISBOA CENTRAL NOS ÚLTIMOS 10 ANOS

Martins-dos-Santos, Gonçalo1,2; Araújo, Miriam1,2; Prates, Sara1; Leiria-Pinto, Paula1

1Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
2 Ambos os autores contribuíram igualmente para a realização do trabalho.

Reunião nacional, apresentação sob a forma de Poster, na 40ª Reunião Anual da SPAIC, 11 a 13 de Outubro de 2019, Palácio de Congressos de Albufeira

Introdução: Nos últimos anos, a população idosa tem vindo a aumentar, constituindo 20,1% da população em Portugal. A doença alérgica tem-se tornado mais frequente e complexa nestes doentes, existindo contudo, poucos dados relativos à prevalência destas patologias nesta população.
Objectivo: Caracterização da população idosa com seguimento em consulta de Imuno-Alergologia (IAL) no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), em Portugal, nos últimos 10 anos relativamente a patologia imuno-alergológica, com o propósito de contribuir para preencher lacuna de informação existente na literatura.
Métodos: Análise retrospectiva dos doentes com idade igual ou superior a 65 anos, com seguimento nos últimos 10 anos, em consulta de IAL do CHULC, através da consulta dos processos clínicos informatizados. De uma população de 1721 doentes, foi realizada amostragem aleatória de 370 doentes e analisadas as variáveis sexo, idade, patologia imuno-alergológica e perfil de sensibilizações.
Resultados: A mediana de idades obtida foi de 75 anos (min: 65 – máx: 100), sendo 71% do género feminino. Os diagnósticos mais frequentemente registados foram a rinite alérgica (24,6%), rinite não alérgica (21,1%), asma brônquica/ACO (20%), angioedema (17,8%), em cerca de metade dos casos associado a IECA/ARA II, urticária crónica (9,2%), a maioria espontânea, conjuntivite (8,4%), hipersensibilidade a fármacos (20,8% suspeita e 7,8% confirmada, a maioria a AINE’s), urticária aguda (3,2%), dermatite de contacto (3,2%) e alergia alimentar (2,4%). Cerca de 25% dos doentes estavam sensibilizados a aeroalergénios, a maioria a ácaros do pó doméstico e/ou pólen. A utilização de imunoterapia foi residual, com apenas 2 casos (0,5%). As comorbilidades mais registadas foram a doença neoplásica, a doença pulmonar obstrutiva crónica, o refluxo gastro-esofágico, a sinusite, a doença auto-imune e a polipose nasal.
Discussão e conclusão: Os principais motivos de referenciação à consulta de IAL consistiram em patologias do foro respiratório; de relevar também a importante proporção de doentes referenciados por angioedema e, em especial, o angioedema associado a IECA/ARA II. É importante atentar às particularidades desta população complexa com múltiplas patologias concomitantes, cuja referenciação à especialidade de IAL deverá continuar a aumentar nos próximos anos, de modo a proporcionar-lhe assistência clínica adequada e de qualidade.