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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ALTERAÇÕES VESTIBULARES EM CRIANÇAS SUBMETIDAS A IMPLANTE COCLEAR

Susana Amaral Pereira; Carla Moreira; Inês Moreira; Marta Mariano; Herédio de Sousa; Isabel Correia; Ezequiel Barros

- Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa

- Comunicação Oral - Congresso Anual da Associação Portuguesa de Otoneurologia, 23 - 25 de maio de 2019, Évora

Introdução: O implante coclear (IC) permite reabilitar doentes com hipoacusia de grau severo a profundo. Estudos que caracterizam os efeitos da estimulação elétrica pelo IC, no sistema vestibular, têm resultados contraditórios.
Objetivos:  Determinar a prevalência e tipo de alteração vestibular numa população em idade pediátrica submetida a IC. Avaliar o impacto do IC na função vestibular.
Metodologia: Foi realizado um estudo retrospetivo que incluiu as crianças reabilitadas com IC no Hospital Dona Estefânia até 31 de Dezembro de 2018.
Resultados: Foram implantadas 97 crianças, 12 foram excluídas por ausência de dados relativos à avaliação vestibular. A idade média de implantação, das 85 crianças incluídas, foi 5,85 anos. Não foi possível estabelecer um diagnóstico etiológico em 49% dos doentes. Foi diagnosticada uma causa genética para a surdez em 18% dos doentes e 18% tinham infecção congénita por CMV. 44 doentes fizeram exame vestibular subjetivo previamente à cirurgia e apenas 52% tinha exame normal, quer na pesquisa do reflexo vestíbulo-oculomotor, quer na avaliação da postura e equilíbrio. Previamente à cirurgia, 60 doentes fizeram VEMPs, apenas 47% apresentava função vestibular bilateral normal e, desses doentes, 11% teve ausência de potenciais no lado implantado, após a cirurgia. Dos que apresentavam função vestibular anormal, 13% apresentou exames normais após o implante. 27% dos doentes tinham sintomas vestibulares e de alteração do equilíbrio postural antes da cirurgia, 48% desses melhoraram. Dos doentes assintomáticos pré-implante, apenas um iniciou queixas de perda de equilíbrio postural após a cirurgia. Os doentes foram avaliados em consulta de vertigem, em média, 19 meses após o implante. Não se encontrou relação estatisticamente significativa entre o diagnostico etiológico e as alterações vestibulares evidenciadas nos VEMPS e exame subjetivo pré-implante (p=0.155).
Conclusão: Doentes com hipoacusia sensorioneural estão em risco de disfunção vestibular, a alteração no ouvido interno pode também atingir o receptor vestibular. Teoricamente, o IC pode induzir trauma directo nas estruturas sensoriais vestibulares e levar à disfunção vestibular. No entanto, autores relatam melhoria dos sintomas vestibulares após o IC, pela corrente elétrica, que não estimula apenas o sistema auditivo mas também o núcleo vestibular. São necessários mais estudos que avaliem o impacto do IC na função vestibular para apoiar recomendações futuras aos doentes.

Palavras Chave: Função Vestibular, Reabilitação Auditiva, Surdez na Criança