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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ACHADOS NA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NA ROMBENCEFALITE A ENTEROVIRUS EM CRIANÇAS – UMA REVISÃO DE 10 CASOS

Bruno Jorge Oliveira Cunha1, Ana Arraiolos2, Carolina Ferreira Pinheiro1, José Pedro Vieira3, Carla Conceição1, João Reis1

1 - Serviço de Neurorradiologia, Hospital Dona Estefânia e Hospital S. José, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
2 - Serviço de Neurologia, Hospital Beatriz Ângelo
3 - Serviço de Neuropediatria, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

- XXXI Congresso SILAN (24 a 27 Setembro 2019) – Comunicação Oral

INTRODUÇÃO: A rombencefalite apresenta uma variedade de etiologias, comummente agrupadas em três categorias: infeção, doença autoimune e síndrome para-neoplásico. A infeção por enterovirus é a segunda causa mais comum de rombencefalite, que geralmente cursa com alterações características e altamente sugestivas na ressonância magnética (RM) crânio-encefálica.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram revistos e descritos os achados clínicos e imagiológicos de dez doentes com rombencefalite a enterovirus. O diagnóstico foi baseado na apresentação clínica, isolamento do enterovirus e achados imagiológicos na RM.
RESULTADOS: Todos os casos apresentaram hiperintensidade T2/FLAIR na região posterior da protuberância, nomeadamente o tegmen protuberancial, pedúnculos cerebelosos médios e núcleos dentados do cerebelo. Em sete doentes, coexistiam lesões bulbares dorsais, com extensão caudal à medula cervical alta em seis destes casos. Um doente apresentou lesão medular longitudinalmente extensa cervical e dorsal. Verificou-se envolvimento do mesencéfalo em três doentes. Não foram detetadas lesões supra-tentoriais. Num caso, identificou-se padrão de restrição da difusão das lesões do tronco cerebral. Em nenhum dos casos se observou reforço de sinal após administração de gadolínio. Nove em dez doentes tiveram uma boa recuperação clínica e imagiológica. Um doente sofreu falência cardiorrespiratória, tendo desenvolvido lesões de encefalopatia hipóxico-isquémica graves e tetraparésia flácida.
CONCLUSÕES: Na sua generalidade, os achados imagiológicos na RM demonstrados na nossa série de casos de rombencefalite a enterovirus são concordantes com o padrão típico descrito na literatura. No entanto, o hipersinal T2 dos pedúnculos cerebelosos médios e núcleos dentados poderá ser mais frequente que o descrito, parecendo representar achados tão constantes quanto as lesões do tégmen protuberancial. Adicionalmente, a extensão caudal com envolvimento do bulbo e medula cervical parece ser mais comum que as lesões do mesencéfalo ou lesões supra-tentoriais. A identificação deste padrão típico na RM pode ser extremamente útil no diagnóstico de rombencefalite a enterovirus e início célere de tratamento apropriado.

Palavras Chave: rombencefalite; enterovirus; RM; protuberância; cerebelo