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2023

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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EXANTEMA INFECCIOSO OU TOXIDERMIA MEDICAMENTOSA: O DESAFIO DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICO

Rita Sousa e Silva1; Sofia Martins Farinha1; Inês Salva1; Raquel Ferreira1; Gabriela Pereira1; Catarina Dâmaso2; Ana Neves3; Maria João Brito4; Rita Silva5; Margarida Santos1

1 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
2 - Unidade de Neonatologia, Departamento da Mulher e da Criança, Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, Açores
3 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
4 - Unidade de Infecciologia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
5 - Unidade de Neurologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa

- 19º Congresso Nacional de Pediatria; Lisboa, 24-26 de Outubro de 2018 (poster com discussão)

Introdução: Dada a semelhança morfológica, a distinção entre exantema infeccioso e toxidermia é difícil. Uma história detalhada, com a cronologia dos eventos é fundamental para uma abordagem correta. As reações de hipersensibilidade a fármacos são raras (2.5%), mais frequentemente associadas a antibióticos, antiepilépticos e antiinflamatórios.
Descrição do caso: Criança do sexo masculino, 1 ano,  com antecedentes de epilepsia. Medicado com carbamazepina e levetiracetam, desde os 7 e 10 meses respetivamente. Internado em hospital secundário por estado de mal, medicado com fenitoína e valproato de sódio. Em D4, febre e estado de mal refratário, com necessidade de fenobarbital, midazolam e ventilação mecânica invasiva. Em D6 surgiu exantema maculo-papular nos membros inferiores, que evoluiu para tronco, membros superiores e abdómen. Por suspeita de toxidermia, suspendeu fenobarbital. Em D8 foi transferido para UCIP de hospital terciário. Objetivada progressão das lesões cutâneas para a face, palmas e plantas. Em D10 suspensa fenitoína, iniciou metilprednisolona e anti-H1, com melhoria. PCR para vírus parainfluenza 3 positiva nas secreções traqueais, pelo que se retirou corticoterapia em D14, seguindo-se agravamento significativo. Em D15 suspendeu carbamazepina e valproato, com melhoria do exantema em 48 horas.
Discussão: O caso é complexo pela sobreposição de patologias e pela utilização de vários fármacos. As infeções víricas por parainfluenza estão associadas a exantemas inespecíficos. Os antiepilépticos aromáticos e o valproato de sódio podem desencadear toxidermia. Na fase aguda, a exclusão faseada de fármacos pode contribuir para o esclarecimento diagnóstico. Após estabilização clínica a investigação alergológica é fundamental.

Palavras Chave: cuidados intensivos, exantema, mal epilético, parainfluenza, toxidermia.