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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ALERGIA À BATATA – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.

Joana Belo, João Marques, Pedro Martins, Paula Leiria Pinto.


Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E.

- 33ª Reunião Anual SPAIC, Fátima, 5 a 7 Outubro de 2012 (Poster).

Introdução: Os instrumentos diagnósticos actualmente disponíveis para o estudo da alergia alimentar não IgE-mediada são escassos. Os testes epicutâneos com alimentos, apesar de carecerem de estandardização, têm suscitado interesse no estudo deste tipo de alergia alimentar.

Caso Clínico: MBM, sexo feminino, actualmente com 23 meses de idade, foi referenciada à consulta de Imunoalergologia por vómitos profusos e diarreia associados à ingestão de batata desde os 4 meses de idade. A sintomatologia surgia cerca de 4 horas após a ingestão deste alimento e tinha sido causa de internamento prévio por desidratação. Na sequência do internamento, aos 6 meses, realizou prova de provocação oral com batata, que foi positiva. Manifestava ainda eritema perioral com ingestão de cenoura cozinhada. Como antecedentes pessoais destacava-se a presença de eczema atópico ligeiro.
Aos 7 meses, para esclarecimento de suspeita de alergia alimentar, realizou testes cutâneos por picada com batata e cenoura (com extracto e alimento em natureza), que foram negativos. Perante estes resultados, cerca de um mês depois, programaram-se testes epicutâneos com batata e cenoura, crus e cozidos. Na leitura às 48 horas apresentava eritema para batata crua; às 96 horas a leitura foi positiva para cenoura e batata cruas e cozidas.  Dos restantes exames efectuados, salientava-se a ausência de alterações patológicas na endoscopia digestiva alta e respectivas biópsias esofágica, gástrica e duodenal. Como orientação terapêutica, foi aconselhada a evicção de batata e de cenoura. Aos 15 meses reintroduziu cenoura com tolerância. Aos 16 meses, na sequência de ingestão acidental de batata, teve novo episódio de vómitos e diarreia.

Discussão: A história clínica sugere-nos a hipótese diagnóstica de alergia alimentar à batata não IgE-mediada, que foi confirmada pela prova de provocação oral e pela remissão da sintomatologia mediante dieta de eliminação. Os resultados dos testes epicutâneos são também sugestivos deste diagnóstico.
Os testes epicutâneos com alimentos têm vindo a ser utilizados como ferramenta diagnóstica na alergia alimentar, designadamente no estudo de situações não IgE-mediadas. A dificuldade na padronização destes testes com alimentos condiciona o seu uso rotineiro na investigação de alergia alimentar. Tratam-se, no entanto, de testes úteis para orientação diagnóstica, mantendo-se a prova de provocação oral com o alimento suspeito o método gold standard para diagnóstico de alergia alimentar.

Palavras-chave: alergia alimentar, criança, alergia à batata.