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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DOENTES COM H1N1 NA UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS PEDIÁTRICOS – ESTUDO COMPARATIVO DOS ANOS 2009/2010 E 2010/2011

Catarina Dias, Teresa Guimarães, Marta Oliveira, Raquel Ferreira, Margarida Santos, Rosalina Valente, Lurdes Ventura.

Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

 - XV Reunião Anual de Cuidados Intensivos Pediátricos, HDE, Lisboa, Portugal, 20 de Janeiro de 2012 (Poster).

Introdução: As consecutivas mutações do património genético e da estrutura antigénica dos vírus da gripe de tipo A explicam a emergência cíclica, a intervalos irregulares, de novas estirpes.A OMS anunciou em Abril de 2009 a identificação da nova estirpe A/Califórnia/4/2009/H1N1, que viria rapidamente a assumir expressão pandémica.
A gripe provocada pela estirpe pandémica A (H1N1) 2009 apresentou, relativamente à gripe sazonal, maior repercussão nas populações pediátrica e adulta jovem com complicações associadas a elevada morbilidade e mortalidade, resultando numa maior incidência de hospitalização em unidades de cuidados intensivos pediátricos (UCIP).

Objectivo: Analisar as características demográficas, clínicas e evolutivas dos doentes admitidos na UCIP-HDE com infecção por Influenza A (H1N1)2009, em dois anos consecutivos.

Material e métodos: Estudo observacional retrospectivo, com análise estatística descritiva. Consideraram-se os critérios de definição de caso estabelecidos pela DGS (caso suspeito e confirmação laboratorial). Variáveis analisadas: sexo, idade, manifestações clínicas, factores de risco/comorbilidades, estado vacinal, tempo de internamento, complicações, tratamento e mortalidade.

Resultados: Foram incluídos no estudo 9 doentes, com uma idade média de 4,1anos (DP 4,6, máx. 15 anos, mín. 4 meses), sendo 4 do sexo feminino. Os internamentos ocorreram em Outubro e Novembro de 2009 (1 e 3 doentes, respectivamente) e Janeiro de 2011 (5 doentes). As manifestações clínicas predominantes na admissão hospitalar foram a febre (100%) e sintomas respiratórios (89%). Relativamente aos factores de risco, salientam-se as comorbilidades neurológicas e respiratórias, predominantes nos doentes admitidos em 2011.
Nenhum doente foi previamente vacinado contra o vírus H1N1.A duração média de internamento na UCIP foi de 4,25 e 19,4 dias, respectivamente em 2009 e 2011.Todos os doentes cumpriram terapêutica com oseltamivir, tendo-se maximizado a dose em 3 casos com doença grave, em 2011. Foi necessário suporte ventilatório nos doentes internados em 2011.
As complicações observadas foram sobretudo do fororespiratório. As complicações foram mais frequentes e mais graves nos doentes hospitalizados em 2011 (pneumonia secundária, pneumotórax hipertensivo, insuficiência cardíaca, insuficiência renal aguda, falência multiorgânica), resultando em 3 óbitos neste grupo.

Discussão e conclusão: Neste trabalho verifica-se uma maior gravidade clínica no grupo de doentes internados em 2011, associada a comorbilidades prévias, com uma taxa de mortalidade significativa (33%). Concordante com as séries publicadas, a maioria dos doentes graves apresentava factores de risco de má evolução, principalmente patologia de base do foro respiratório e neurológico.

Palavras-chave: gripe A, H1N1, unidade de cuidados intensivos pediátricos.