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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DESAFIOS DA PEDIATRIA DO SÉCULO XXI - INFEÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS NA URGÊNCIA DE PEDIATRIA MÉDICA

Tiago Milheiro Silva, Patrícia Lopes, Cristina Henriques, Sílvia Afonso, António Marques.

Equipa Fixa da Urgência de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

- Reunião da Área de Pediatria do Hospital Dona Estefânia, Lisboa, Julho de 2012 (comunicação oral).
- 13 º Congresso Nacional de Pediatria, Tróia, Outubro de 2012 (Poster com apresentação em Sala).

Introdução: O aumento do limite de idade de atendimento em Serviços de Urgência Pediátricos confrontou os profissionais com situações peculiares da adolescência. As Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST) são um destes novos desafios. Tem-se assistido a um aumento do número de casos diagnosticados nos últimos anos, constituindo um problema de saúde pública. Os adolescentes são considerados um grupo de alto risco para as IST e é imperativo fazer o seu diagnóstico precoce de modo a prevenir potenciais complicações e interromper a cadeia de transmissão. A abordagem destes doentes num Serviço de Urgência Pediátrico geral apresenta particularidades em termos de anamnese, exame objetivo, meios complementares de diagnóstico, tratamento e encaminhamento.

Objetivos: Conhecer a realidade da urgência de pediatria de um hospital central, tanto no que respeita aos diagnósticos efetuados como às características da sua abordagem

Material e Métodos: Efetuou-se um estudo descritivo, retrospetivo dos casos observados na Urgência de Pediatria Médica (UPM) do Hospital Dona Estefânia entre janeiro de 2011 e maio de 2012. Para cada doente, foram recolhidos dados demográficos, clínicos, estudos laboratoriais efetuados, terapêutica e encaminhamento, incluindo referência a rastreio de parceiros/contactos.

Resultados: Foram identificados 31 adolescentes com idade superior a 14 anos, sendo que em 13 foi confirmada IST. A apresentação mais frequente foi disúria e exsudado uretral no sexo masculino, e disúria e leucorreia no sexo feminino. O agente mais frequentemente identificado foi a Neisseria gonorrhoeae com 6 casos. Registaram-se 2 casos de co-infecção N. gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. Verificou-se grande heterogeneidade no tratamento do caso índex e respetivos contactos, rastreio de outras IST, assim como no encaminhamento destes doentes.

Comentário: Os resultados obtidos neste estudo correspondem certamente apenas a uma pequena fração da realidade: muitos casos poderão passar despercebidos num Serviço de Urgência. Assim, é indispensável um elevado índice de suspeição e uma abordagem sistematizada destes doentes, dado que as IST devem obrigatoriamente fazer parte do diagnóstico diferencial de um adolescente sexualmente ativo. Neste sentido, propõem-se linhas de orientação para a abordagem destes casos na UPM, o que permitirá uma melhor prestação de cuidados ao adolescente e à sociedade em geral.

Palavras-chave: infeção sexualmente transmissível, adolescente, urgência.